PPP: o Papa, a Prostituta e o Preservativo
Recentemente a imprensa mundial deu ampla cobertura sobre a declaração de Bento XVI a respeito do uso de preservativo. Pela primeira vez o Pontífice declarou que a camisinha pode ser útil para a prevenção contra a AIDs, principalmente entre as prostitutas. Esta colocação do Papa para um jornalista alemão foi encarada ao redor do mundo como uma flexibilização da Igreja Romana em relação a esta questão tão enfaticamente condenada até então. Questões como camisinha, aborto provocado, sexo antes do casamento, relacionamento homossexual entre outros tem encontrado grande resistência e oposição por parte dos líderes católicos por todo o mundo. Esta postura da Igreja tem constantemente provocado manifestações e ataques, geralmente se apropriando dos escândalos de pedofilia e conduta homossexual de clérigos, legítimos representantes da Instituição religiosa. É muito comum também ouvirmos que a Igreja deveria se manter nos limites do seu espaço religioso e parar de querer fazer da atual sociedade tão plural e diversificada o reduto dos seus próprios valores morais. Assim se cria uma antinomia entre valores e surge a discussão se a sociedade moderna deve ser constituída por um pluralismo ético e moral, e os efeitos disso. De fato, a fala do papa não modifica a posição da Igreja, mas revela uma mudança de postura, talvez mais adequada ao século XXI talvez mais coerente com os desafios com os quais tem se debatido ultimamente. Um líder mundial como o intelectual alemão Ratzinger não perderá oportunidades de criar aproximações entre a Igreja e a população do mundo, já que esta é sua missão apostólica.
Escrito por Felipe Lamim às 17h29
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RECENCEANDO 2010 Cheguei ao condomínio de classe média e a primeira casa demora a me atender. Não há campainha e as janelas estão todas fechadas. Penso que não há ninguém em casa, mas resolvo bater palmas mesmo assim. Depois de algum tempo aparece uma mulher que me recebe com a porta entreaberta. Eu explico que sou recenseador do IBGE e inicio a entrevista. Quando chego na questão sobre quantos moradores há naquela casa, recebo a seguinte dúvida de volta: “A minha filha que é doente mental conta também?”. Respondo que sim. Quando o assunto é cor e renda, ela pergunta: “Da minha filha também? Ela é especial!” Diante da insistência da mãe em questionar a relevância da filha com problemas mentais ser entrevistada pelo Censo tenho que interromper a entrevista para explicar-lhe que era necessário que eu fizesse todas as perguntas conforme aparecia no PDA (aparelho eletrônico utilizado no censo 2010 para a realização das entrevistas). Ela assim compreendeu e pudemos finalizar a entrevista. Uma outra casa a ser entrevistada tinha vários complicadores: uma vala aberta na frente e várias arvores que dificultavam meu trânsito e a visualização da casa. Se não bastasse isto, havia também uns cinco cachorros que começavam a latir uníssono quando eu ainda estava a uns quatro metros do portão. Diversas vezes passei por ali e não consegui êxito em contactar os moradores. Até o dia em que apareceu uma mulher e sua filha. A menina estava bastante eufórica. Pulava, gargalhava e brincava de tapar a boca da mãe. Eu me esgoelava para fazer as perguntas com a cachorrada latindo e a garota gargalhando. A mãe lutava com a filha para conseguir ter a boca destapada para me responder. – quantos anos você tem? - perguntou-me a mãe. – 24. – respondi. – Você tem 24 anos e está aí trabalhando, ela tem 30 e olha o que ela faz! Mais uma vez eu percebo uma inferiorização de morador com problemas mentais. Apesar do contato afetuoso que observei entre mãe e filha, não pude também deixar de notar uma animalização da filha quando ouvi: “não vou poder abrir o portão por causa dela, olha como ela é!”. No final da difícil entrevista a mãe revela outro motivo para não abrir o portão: “Desculpa não abrir o portão, é que o mundo tá tão violento, né? A gente nunca sabe em quem pode confiar”. A cachorrada irada, que me obrigava a fazer a entrevista a 1,5 metro de distancia não foi considerada. Os possíveis perigos era o estranho (eu) e a filha. Os únicos ali que poderiam surpreender, porque os cachorros... Estava bem claro o que fariam se eu atravessasse aquele portão. Na terceira casa havia um quarto separado no quintal onde morava um homem com problemas mentais que chamarei de Carlos. Carlos devia ter por volta de quarenta anos. Neste quarto não havia banheiro nem cozinha, portanto não havia plena independência e autonomia do morador. Como ele utilizava o banheiro e comia na casa maior fiz apenas uma entrevista. Na casa morava um casal de senhores, o pai e a madrasta deste homem. Ela se prontificou de boa vontade para dar a entrevista até o surgimento de perguntas sobre o Carlos. - Eu não sei nada dele. Ele não é meu filho. Mas ele não precisa, ele não faz nada. - Ele mesmo não pode responder? – perguntei. – Deixa eu lhe mostrar como ele é. Carlos! – gritou o enteado e este veio imediatamente e parou mudo a nossa frente – Ta vendo! Ele é isto daí. A gente chama ele vem, a gente manda embora ele vai. Vai embora! É só isso! - Carlos então volta para seu quartinho. Explico para a senhora que as informações sobre ele são importantes também e que eu não poderei fazer a entrevista sem elas. - Eu não sei nada sobre ele! Ele não é meu filho! – repete ela – Ele é filho do meu marido e eu só estou casada com ele há treze anos. Peço que ela então chame o seu marido para dar prosseguimento à entrevista. Ao termino da entrevista, enquanto saio, Carlos sai do seu quarto e me faz a seguinte pergunta: - E a guerra, jovem? Você ta sabendo da guerra? - To sim. – respondi, não querendo desmerecer sua pergunta – Mas, não precisa se preocupar com a guerra agora, porque ela ta muito longe. – Ele ficou me olhando com cara de quem tinha gostado da resposta e disse: - Jovem, há 29 anos que eu tomo remédio, desde criança que eu tomo remédio, só Deus pra ter misericórdia de mim. – e repetiu – Desde criança que eu tomo remédio, tem 29 anos que eu tomo remédio, só Deus pra ter misericórdia de mim. – olhou pra mim e ficou em silêncio, ao que eu simplesmente respondi: - É mesmo, só Deus. – mais uma vez ele pareceu gostar da minha resposta e disse por fim: - Jovem, volta aqui a hora que você quiser. A hora que você quiser, volta aqui. - Tá bom. Muito obrigado. – e fui embora. Na semana seguinte quando voltei naquela rua. Vi que ele se colocou escondido atrás da janela de seu quarto e dizia alto imitando as personagens do desenho animado: - Pelos Poderes de Greyscom, eu tenho a força!!! Eu Sou Shirra!!! Pensei em quanto estas frases são carregadas de um sentido identitário, reforçando as subjetividades das personagens que as dizem. Uma frase mágica que cria um indivíduo novo, mais forte para combater os inimigos, e porque mais forte mais respeitado e mais temido. “Eu tenho a força!” e “Eu sou!” não são, de forma alguma, frases que devam ser desmerecidas neste momento. Elas carregam tudo que os subalternizados da saúde mental precisam: reconhecimento e respeito a sua subjetividade. A quarta casa era na verdade quatro casas de quatro irmãs, sendo que três delas trabalhavam fora e uma, a que tinha problemas mentais, permanecia em casa a maior do tempo. Mas, também trabalhava catando papelão nas ruas. Quando cheguei ela estava sozinha. Expliquei o meu trabalho e percebi que ela ficou agitada. Ela falava atropelado sem olhar para mim e de vez em quando dava uma olhada de lado para o PDA. Disse para eu voltar no final de semana quando as irmãs estavam ali. Eu disse que tudo bem, que voltaria no sábado. Enquanto eu saia, ela correu para a rua e gritou para duas crianças (seus filhos) que brincavam na rua: “Entra já! Não pode ficar mais na rua! Entra agora!”. Mais uma vez eu tive a impressão de ser um perigo materializado, mas agora eu tinha uma arma tecnológica nas mãos. Quando voltei no sábado, fui bem recebido pelas irmãs, que comentavam animadas que tinham visto sobre o Censo na televisão. Ela (a irmã com problemas mentais) ajudou tranquilamente e de boa vontade a dar as informações, as quais foram solicitadas a ela pelos seus familiares. Hora nenhuma teve reprovação de sua conduta ou desmerecimento das informações prestadas por ela. Ao ser socializada, sem nenhuma distinção, ao processo da entrevista ela arrefeceu sua agitação e respondeu adequadamente às questões. Por fim, visitei outro endereço que possuía várias casas com famílias ligadas por parentesco. Numa delas, moravam um senhor sozinho. Quando chegou a vez dele seu sobrinho me disse: - Vou chamá-lo. Ele é meio confuso, mas sabe as coisas direitinho. Para cada pergunta havia uma história desbaratada que não me dava a resposta que eu precisava. Todos os familiares sumiram neste momento me deixando a sós com ele. Custei, mas por fim, falamos a mesma língua. O importante é que para aquele homem foi dado voz e autonomia. Ele confundia e misturava as coisas, mas todos ali sabiam que ele era capaz de responder aquele questionário que tinham acabado de responder. Conheciam suas limitações, e me alertaram delas, mas sabiam também de suas capacidades, por isso não ficou ninguém para responder por ele. Há muitas formas de tratar um doente mental em sua própria casa. E a qualidade deste tratamento independe de classe social ou instrução educacional. O que existe é uma construção de significado que varia dentro de uma mesma vizinhança. O que significa ter um doente mental em casa para uma família não explica a experiência de uma outra casa. Cada um tem um jeito particular de lidar com os seus: um parece ter vergonha, outro rejeição. Um lida como se não houvesse problema, outro naturaliza o problema, incorporando esta diferença na dinâmica da rotina. Todos tem consciência da situação e conduzem suas vidas dentro das possibilidades construídas dentro das respectivas realidades. O que sinto capaz de dizer a partir desta experiência é que existem diferenças estruturais, dentro de cada família, que atuam diretamente na construção do que é ter um doente mental dentro de casa. Mas, existem também diferenças na própria forma de manifestação da enfermidade psíquica no doente mental que impossibilita a homogeneização destes numa mesma categoria de explicação e a classificação valorativa das formas de lidar com o doente mental em casa.
Escrito por Felipe Lamim às 17h21
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QUANDO ACONTECE A DECEPÇÃO
Recentemente desapontei um amigo e recebi de volta um afastamento. Reconheço a minha falha, mas não encontro nela motivo para tal ato. Reflito, então, sobre a natureza da decepção e da amizade. É possivel ser amigo e nunca decepcionar ou ser decepcionado? Até que ponto uma decepção deve ser tolerada? Até que ponto o afastamento não é um atestado da falta de assertividade? Como ser amigo e não ter contato com a fragilidade e os limites do outro? A grande frase que me vem neste momento é: “o outro me explica”. Se revelo ao outro uma esfera de mim que é ocultada na maior partes das vezes, é porque: 1º) confio; 2º) Sei que o amigo entenderá, por mais que se surpreenda a princípio; 3º) Sei que meu desabafo será acolhido, mesmo que não compreendido. É no relacionamento humano que tomo parte de quem eu sou. Se temo quem sou, temo também o próximo. O amigo me explica quando permito que o conteúdo do meu ser passe por ele. E quando ele devolve o meu conteúdo resignificado pela sua subjetividade me recoloco no tempo e no espaço, adquirindo maturidade, me tornando novo. Se, porventura, ele não for capaz de assimilar meu conteúdo, este ficará lá (dentro dele) apodrecendo até poder ser digerido. Há muitas maneiras de decepcionar. No meu caso foi uma palavra mal dita (ou maldita), mas poderia ser um gesto agressivo, uma atitude agoísta, um desprezo velado. Respeito os limites em que as pessoas se demarcam, pois eu mesmo tenho os meus. Mas, estou cada vez mais convencido que escapar dos meandros da humanidade é a grande contramão que podemos tomar. O que nos torna homens e mulheres maduros não são os caminhos pelos quais passamos, mas como passamos por eles. Quem pode assegurar para sua própria vida que só andará por bons caminhos, onde não haverá sofrimentos, decepções, desavenças, etc? Se não podemos evitá-los a saída não seria marca-los com o sinal do aprendizado que só a experiência produz? Deste erro tirei um aprendizado importante: “Relacionar é um risco”. Quanto mais me relaciono, mas sou... Quanto mais se é, mas se confronta... Porém, há muitos na defensiva, poucos preparados para o combate.
Escrito por Felipe Lamim às 16h33
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A IRMANDADE DO AMOR

Estou lendo um livro extraordinário chamado “O CHAMADO DO DESERTO, BIOGRAFIA DE IR. MADALENA DE JESUS”. A autora, Kathryn Spink, soube relatar de maneira intensa as viagens, os encontros e a espiritualidade absurda de uma das mulheres mais encantadoras do século passado. Como me impressionou a vontade imensa que a francesinha Madalena sustentava de viver uma vida de amor entre os nômades mulçumanos do deserto do Saara. Apesar de ser cristã e valorizar a obediencia aos representantes da Igreja Católica, esta irmazinha não tinha nenhuma pretensão de evangelizar um povo não cristão, apenas queria viver com eles, como eles e amá-los sem medida. Além de não exaltar sua identidade religiosa, a fundadora das irmazinhas de Jesus tentava suprimir ao máximo o nacionalismo em si e nas outras irmãzinhas, pois acreditava que caracteristicas nacionais impediriam uma verdadeira comunhão com o povo local. Não pude deixar de perceber uma atitude antropológica no trabalho desempenhado por esta missionária. Ao transpor as barreiras da diferença, elas poderiam conhecer, de fato, determinado povo, se tornar um deles e amá-los sem hipocrisia. Uma proposta como esta foi elaborada com muita oração, fé, esperança e conselhos de diretores espirituais e pessoas como Marta Robin e Irmão Roger, grandes expoentes da espiritualidade leiga e ecumênica. Por isto, esta inspiração chegou também aos esquimós, leprosos, pastores das montanhas, favelados, presidiários, entre outros. Sempre as irmazinhas vinvendo exatamente como o povo local: na favela, nos barracos; no presídio, nas celas. Seus meios de transporte eram as caronas. Seus meios de subsistências: o trabalho artesão ou operário. Não faltaram críticas para esta absurda e nova experiência de vida religiosa. Mas, ir. Madalena assumiu o sacrifício e superou todas as barreiras, fundando pequenas comunidades de irmazinhas nos cinco continentes.
Escrito por Felipe Lamim às 00h57
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O FIM DA INOCÊNCIA

Ocordaremos um belo dia, inevitavelmente, e descobriremos que o mundo que conheciamos já não é mais o mesmo. Não porque ele mudou, mas seremos obrigados o ve-lo com um novo olhar. Teremos, então, que reconstruir quem somos, com as novas vicissiitudes, desejos, quereres e inclinações que nortearão nossos caminhos daí em diante. Com pé no chão sentiremos a força da natureza a nos emudecer diante de sua fúria, e saberemos empiricamente que não se deve negar o que se passa em nós e em nosso meio. Em cada arroubo de si aprenderse-a um pouquinho dos passos para a formação e amadurecimento de um ser que nunca estará pronto. Em cada SIM uma experiencia nova, em cada NÃO uma força adquirida. Porém, quando o SIM acabar em Não, e o Não terminar em Sim teremos o reflexo da nossa fraqueza somada a frustração de não se saber gerir a própria vontade. Conheceremos, portanto, as verdades humanas do mundo e encontraremos espaço propício para trabalharmos: preconconceito, certo e errado, individual e coletivo, humano e espiritual... Os contatos com fatos e pessoas nos farão mais íntegros e viventes, apreendendo de toda novidade sua especificidade e contribuição. Cuidando de nós e conhecendo-nos estaremos aptos a viver sem medo. Quem pode ser feliz aprisionado em si mesmo ou a valores de outrem? Não podemos, de forma alguma, subjulgar nossa singularidade em todos seus detalhes, pois sentiremos, de fato, a morte antes do tempo. A vida e os impulsos talvez não sejam sinonimos, mas o que é sensível em nós não pode ser descartado como algo que não serve. Preocupemo-nos com a determinação ou delimitação do que somos. Se estamos numa construção humana diaria e perene não é cabível nos fechar em argumentos taxativos que tendem a nos corromper mais do que nos explicar. Também não seremos um leque de opções por todas as fases da vida, temos que nos centrar em escolhas concretas que nos identifiquem. Encarar a sociedade na sua multiplicidade é tarefa de aventureiros. Estes, não podem permanecer no pensamento mediocre, infantil e ignorante de outrora. Tem-se que conquistar novas terras, plantar sementes que outros colherão. É sempre assim, só que a maioria se esquece de preparar o terreno antes da semeadura. Então, nasce plantas que não alimentam nem saciam. Enfraquecidos, os próximos não conseguem refazer o estrago, não aram nem cultivam. É o ciclo intriseco da miséria humana. Quando, no contato com os outros deparamos com seu lixo oferecido a nós, podemos não aceitar, ridicularizar, consumir como se fosse file mignon, aceitar e reciclar, fingir que não está sendo oferecido... Todas estas opções são melhores do que se acovardar e se esconder de tudo o que há ao redor do mundo. Encarar significa mostrar-se diante da vida, portanto, viver. Vive quem ama o que a vida oferece, pois atrás de tudo, até das aberrações há a essência primeira de tudo. O momento de mudança é o momento de mudar. Nada de protelar e deixar para o amanhã que sempre terá um amanhã. Precisamos nos encontrar e nos doar. Sentiremos vontade de retroceder de vez em quando, mas devemos dar passos curtos e lentos nesta hora. Há muito o que aprender, ensinar, contribuir... Sair da fossa é atitude sábia. A inocencia é irmã da ingenuidade, ingenuo é quem não sabe nem conhece a realidade.
Escrito por Felipe Lamim às 10h21
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Anti-americanismo a solta
Se tem algo que o presidente Bush fez bem, foi fomentar um sentimento quase repulsivo em relação aos EUA. Eu fico imaginando o que seria daquele país sem o cinema e a música. Genericamente, poderíamos dizer que os artistas são os salvadores da pátria ali. O que teríamos como boa referência estadunidense sem eles?
Recentemente estive hospedado em um albergue em Salvador. De brasileiro lá só tinha eu, e os americanos eram maioria. Um deles, da Califórnia, contou-me que estava no Brasil, entre outras coisas, para desenvolver um trabalho da faculdade. Este, consistia em levar energia elétrica ao povo brasileiro sem acesso a este serviço. Eu, inocentemente, observei que era irônico um país com tanto potencial energético como o Brasil ainda necessitar de tais iniciativas tão básicas. Contudo, ele me surpreendeu com uma resposta que eu nunca mais esquecerei. Ei-la:
“SE VOCÊS NÃO FAZEM, NÓS FAZEMOS!”
Confesso que tive raiva daquele cara na minha frente. Minha vontade foi dizer: “muito obrigado, mas dispensamos sua colaboração”. Contudo, seria arrogante demais, e injusto com os moradores do escuro. Porém, o que eu respondi foi muito mais arrogante:
“Tudo bem, nós apreciamos muito o que vocês fazem por nós. Mas, quando vierem desenvolver algum trabalho social, por favor, não aproveitem para aumentar a exploração sexual, iludindo as nossas pobres jovens. Pois você deve saber, muitos de vocês vêm aqui com esta segunda intenção.”
xxxxxxxxxxxx
Conheci também lá uma jovem estadunidence que havia recentemente se formado em Antropologia. Ela estava numa jornada de seis meses viajando por toda a América Latina, com ultima parada no Brasil. Ela estava visivelmente cansada, e eu fiquei admirado com tal empreendimento. Ela foi extremamente neutra em suas observações, inclusive sobre o seu país. Por exemplo, quando eu disse que considerava o Português o idioma mais lindo do mundo, ela me falou que achava o austríaco. Quando eu perguntei sobre o Brasil ela simplesmente respondeu: "diferente de todos os demais". Gostei dela. Não conversamos muito, mas ela me cativou. Seu olhar era profundo, como o de quem já havia visto muita novidade e agora precisava voltar para sua origem, para o seu cantinho, para a sua cultura. Pareceu-me uma americana autentica, conhecedora de todo o continente, e jovem, e simples, e... Pena que não conversamos mais...
Quando temos a capacidade de nos aproximar dos outros com simplicidade e sinceridade somos também capazes de gerar paz e amizade de verdade. O sentimento de superioridade faz-nos sempre mais pobres do que já somos. Se formos capazes de criar encontros que criem links entre nós, seremos de verdade um mundo globalizado. Eu espero que o presidente eleito Barak Obama saiba reconduzir as relações de seu país com o mundo, embasando-as na cooperação, no respeito e na valorização da soberania de cada um. Viva a Real Democracia!!!
Escrito por Felipe Lamim às 09h30
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Quando o Brasil se Torna Protagonista
Temos acompanhado o otimismo depositado no Brasil a respeito de sua posição no cenário mundial a partir desta crise financeira que se espalhou pelo planeta. Há análises, discursos, estastísticas e dados que demonstram que não é tão absurdo considerar um protagonismo brasileiro na política internacional. Contudo, o que temos são prognósticos sobre um país com imensos desafios como a superação da desigualdade social através, principalmente, de uma revolução qualitativa na Educação.
Como podemos discutir soberania mundial se não somos capazes de zelar, inteligentemente, por nossos recursos naturais, fazendo com que nos enriqueçam, e prevaleçam. Uma coisa é certa: não cresceremos pelas guerras como nossos irmãos do norte do continente. Mas, que não nos tornemos potencia a custa da exploração, tão bem apreendida de nossos colonizadores. Os boia-frias, os ribeirinhos e os índios não podem mais pagar o pato. Se não for para mostrarmos ao mundo que desenvolvimento se faz com respeito pela diversidade cultural, social e natural que não ultrapassemos o ponto onde estamos.
Outra questão interessante é: Quem são as personalidades que admiramos no Brasil? As mulheres-fruta não valem como resposta. Nossa sociedade está ascendendo em alguns aspectos, mas até que ponto os diplomas vão nos construir solidamente? Sem referenciais e possibilidades concretas para produzirmos, mesmo com bons indicadores não iremos longe.
Onde o Brasil estará daqui uns anos não sabemos, mas que saibamos aonde queremos que ele esteja. Eu, particularmente, desejo ser uma nação soberana e global, superando cada vez mais os entraves históricos e aprendendo em cada passo à frente, que o Sistema do Individualismo não deve jamais ser seguido, pois ele cava nossa própria sepultura.
Escrito por Felipe Lamim às 09h23
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OS ANJOS, BONS AMIGOS

Como é bom recebermos boas dicas, não é mesmo? Por isto, o bom que experimentamos e apreciamos deve ser compartilhado. Quantas vezes ficamos sedentos de algo que possa nos trazer uma sensação gostosa de vida e alegria contagiante. De repente chega um sorriso encantador, um livro de grande inspiração, uma música que toca a alma, um filme que provoca uma mudança fantástica. De tudo isto, podemos comprovar que há muita gente no mundo produzindo coisas boas. Uma multidão deixando os bons sentimentos falarem mais alto. Como é bom poder saber que podemos encontrar uma dessas criaturas e nos sentirmos mais em nós, mais revolucionários e, principalmente, mais reconhecedores de nosso potencial transformador e edificador.
Acabei de ler um livro muito bom sobre Anjos. Sim, esses protetores celestiais que nos fazem companhia a todo o momento. Encantei-me com a maneira tão simples e bela com que a autora (ANN SPANGLER) falava sobre estes amigos do Céu. Nossos anjos da guarda são um presente imensurável com o qual Deus nos revela seu infinito amor por nós. Estes seres fantásticos até nas questões amorosas nos ajudam, como na história fascinante de Sara e Tobias na qual o anjo Rafael teve grande influência.
"Encontro Com os Anjos" é o título do livro de ANN SPANGLER, uma escritora fantástica que eu quero conhecer melhor, através de sua vasta obra literária sempre voltada para as palavras que enobrecem. E a experiência de relacionamento com os anjos é algo que eu quero saborear e divulgar.

Escrito por Felipe Lamim às 13h03
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PARA VC
6 Transformar um blog num espaço de reflexão. 5 Antes disso num lugar de leitura. 4 Antes disso divulga-lo. 3 Antes disso, escrever bons textos. 2 Antes disso, ter conteúdo. 1 Antes disso, ter uma meta.
1 Minha meta é incomodar e/ou cativar!!! 2 Meu conteúdo é quem eu sou!!! 3 Os textos são um reflexo de mim!!! 4 Divulgar é o que estou fazendo agora!!! 5 lugar de leitura é este: www.felipelamim.zip.net 6 espaço de reflexão é aí dentro de ti.
EXPERIMENTE!!! SABOREIE!!!
Escrito por Felipe Lamim às 17h38
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Serviço Social Obrigatório

Diante de tantas obrigações civis democráticas esbarro com uma que tem a capacidade de provocar a esperança em mim. Trata-se de um projeto federal (ainda em pauta) que propõe atividades de cunho social para os jovens que não passam para o serviço militar em época de alistamento. O interessante é que as meninas também serão requisitadas. Viva a democracia!!!
Discussões ainda acontecerão. Críticas surgirão. Contudo, não podemos negar que esta é uma proposta que pode trazer uma mudança significativa para a juventude atual e às posteriores, superando de vez o triste bipolar alvo absoluto das preocupações da maioria dos jovens da atualidade: entrar para a faculdade e não pegar aids.
Talvez assim, possamos aprender valores além da genitalidade e futilidade, tão endeusada nos tempos modernos. E não seremos voltados quase que exclusivamente para apenas uma importante área em nós, mas nos tornaremos íntegros e capazes de afetar com mais propriedade e menos superficialidade.
Escrito por Felipe Lamim às 17h35
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O SEGREDO DO SUCESSO
Recentemente li um blog de um rapaz a pouco inserido no mundo das famosidades. Ele, falava, dentre outras coisas, do inacreditável um milhão de visitantes em seu diário virtual. É indiscutivelmente uma marca considerável. Mas, o que isto significa?
1º) Ele está na mídia.
2º) Ele vende bem sua imagem.
3º) Ele tem algum talento.
Sem querer tirar o mérito desta nova celebridade, chegar a 01 milhão não é tão difícil assim. Por quê?
1º) Há livros que vendem na marca de 01 milhão, como por exemplo, o incrivelmente marketizado “O Segredo”. (motivo: A propaganda)
2º) Há uma série de livros com o tema: “como conseguir 01 milhão de reais”. (motivo: vontade de status)
3º) E, enfim, há um milhão destas inutilidades formando gente inútil para consumi-las. (motivo: O lucro)
Não estou dizendo que tudo é porcaria. A quantidade, na minha opinião, é um dado relevante. Mas, não posso deixar de perguntar: quem te contou o segredo de “O Segredo”? A verdade é que as pessoas são cruéis. Gostam de um suspense, de criar um clima. Vou revelá-lo então. Prepare-se: neste livro só tem ------. E o que é pior: uma merda num embrulho chique, para enganar os trouxas, como eu. Bem, quem entra em contato com este conteúdo fétido, fica enojado, e não tem coragem de contar pra ninguém, guarda aquilo como se fosse um segredo. Daí o nome!
Quanto ao DVD “O Segredo”, este é mais cruel. Meu aparelho não foi mais o mesmo, depois daquele dia.
Os mecanismos que nos moldam
são determinados
pelas prioridades que delimitamos.
Que nossa prioridade seja a excelência e a simplicidade.
Escrito por Felipe Lamim às 12h30
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Tinha um anjo no meio do caminho, no meio do caminho tinha um Anjo
Quem não passou pela experiência de sentir que as coisas na vida não estão caminhando como deveriam? Quem, porventura, não pensou que esta barreira poderia ser fruto de inveja, más atitudes, baixa auto-estima, falta de fé ou afins? Que não imaginou, nesta hora, Deus como um ser distante e silencioso? Quem não arrefeceu, portanto, sucumbindo às próprias vontades mesquinha em retaliação ao que não conseguira? Quem não pensou em seguir no caminho fora do “princípio” quando se viu perdido nos preceitos? Quem não pensou, também, que apesar de todos estes questionamentos poderia estar no caminho certo?
Um certo homem chamado Balaão estava montado em seu burro a caminho do castelo do rei. Ele ia fazer algo que era contra a vontade de Deus. Então, Deus enviou um anjo para barreirar a estrada. O jumento viu o anjo e empacou. Balaão que não via o anjo ficou com raiva do animal e o espancou, mas mesmo assim o burro não se moveu.
Às vezes, parar no caminho faz parte do processo de aprendizagem. Somente aquele que se permite parar pode assimilar o que se passa em sua vida. Podemos parar por conta própria, quando sentimos a necessidade de repensar e refletir a nossa vida; e podemos parar porque a vida impôs uma barreira. Bem, este segundo caso pode ter muitos fatores, contudo vamos analisar com a história de Balaão citada acima. Vamos supor que um anjo bem grande e forte esteja no meio do caminho pelo qual estamos andando. Não o vemos, mas somos obrigados a parar. Neste caso, só poderemos entender a situação que nos paralisa por meio de um olhar simples e direto ao nosso coração. Lá encontraremos o que não queremos e sentiremos falta daquilo que tanto buscamos. Este contraste nos tirará o chão se não reconhecermos imediatamente nosso valor a despeito disto.
Vencer uma barreira é algo complicado
pois muitas barreiras sustentam uma alma insegura.
Onde está sua segurança?
Onde está o teu coração aí está sua segurança.
Escrito por Felipe Lamim às 12h25
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COMUNICAÇÃO E INTERNET

O ciberespaço é um lugar escolhido e preferido por muitos, principalmente pelos jovens quando querem encontrar e se divertir. As críticas traduzem estas relação tão contemporânea, como impessoal e estranha. Quem curte este meio vibra em poder chegar a muitos ao mesmo tempo, aumentando consideravelmente a consistência e o tamanho da rede que o faz sentir-se conectado ao mundo.
Participei recentemente do I Mutirão da Comunicação (Muticom) do regional leste 1 da CNBB, realizado em Petrópolis. Um assunto muito bem abordado foi internet e evangelização. Sábado passado li no jornal do Brasil um artigo do Cardeal dom Eugenio Salles sobre o mesmo tema. Percebe-se, então, que há uma preocupação de ficar de fora deste fenômeno virtual e um interesse de usufruir suas benesses. Por quê?
Somos uma sociedade correndo em círculo num deserto. Aceleração que não leva a lugar algum, ou melhor, leva ao nada (point dos coitados). Falta-nos percepção e conscientização de que somos únicos e múltiplos numa matemática onde perder pode ter uma conotação de soma, pois a regra será sempre uma: justiça social.
A verdade é que já descobrimos que o virtual pode ser canal de virtudes. Mas, para isto, precisamos construir um oásis no centro deste deserto e relacionar nossos nomes a uma identidade firme e nobre. Quando formos, enfim, capazes de seduzir pela capacidade técnica e afetiva transformaremos a realidade num ambiente íntegro e oportuno de felicidade.
Escrito por Felipe Lamim às 17h21
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ESCREVER NUM BLOG
Recebi, recentemente, um cutucão de uma pessoa querida. Ela questionava o porquê da não atualização constante deste blog. Na verdade, deixei de escrever por comodismo e covardia. Puro medo de não ser lido e apreciado. Expor-se em palavras é tão complicado quanto se virar do avesso. Dói! Desconstrói! Pois o que eu tenho pra dizer não é apenas o que eu sei, mas principalmente quem eu sou.
A maneira como construo um pensamento dentro de frases e parágrafos... A sonoridade que eu escolho entre sílabas e vocábulos... A ordem que utilizo dentro de um espaço... Nada mais é do que meu retrato emoldurado. Minha face dentro dessa pintura se torna mais clara a medida que eu abro mão de mim mesmo e daquilo que eu idealizo como o melhor.
Andei visitando uns blogs literários de companheiros meus em juventude e reflexão. Uma constatação eu fiz: como é diversificado o que temos pra dizer! Não existe um modelo, uma diretriz... SOMOS UM OLHAR ECLÉTICO SOBRE O MUNDO. Temos uma postura única e complementar para todos os gostos.
Busco dizer o que possa encontrar com o teu viver e estimular o te bem-querer. Espero que este seja um caminho de verdade e simplicidade. Em todo o caminho há uma luta constante. As vezes ganhamos e podemos descobrir a superação. Quando perdemos podemos encontrar a humildade. Em todo o caminho podemos sempre ganhar, pois o premio vem do Alto.
Categoria: reflexões
Escrito por Felipe Lamim às 12h34
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A Nossa Jornada
 
Em tempo de Jornada Mundial da Juventude (começando hoje em Sidnei – Austrália) recordo a recente experiência que tive na Jornada da Confiança (Vitória da Conquista – Bahia – 22 a 25 de maio de 2008), um encontro de jovens realizado pela comunidade Taize. Éramos centenas de jovens cantando, dançando, visitando, conhecendo, compartilhando, caminhando, rezando... Silêncio profundo e batuques de tambores; mantras e cantos cheios de Axé; movimentos de alegria e reverencia ao Divino; diversidades e semelhanças se encontrando a todo o momento. Síntese pura do que é uma jornada feita por quem ainda tem esperança.
A juventude moderna anseia por ser luz, quebrar barreiras, mostrar a face da verdade e construir uma história de verdade e de amor. Por mais que a maioria ainda se iluda com o ter e o estar, nós, sem dúvida alguma, buscamos o ser, a identidade e a oportunidade para fazer a diferença.
Eu também não tenho dúvida que esta juventude tão mal-vista será a grande revolucionária da mentalidade e da moral. Já não temos os impedimentos de outrora e mesmo assim não queremos o efêmero que é ser coisa alguma. Nos reunimos em massa, falando diferente e com hábitos diferentes, mas nosso propósito é igual, pois ele habita no essencial.
Escrito por Felipe Lamim às 17h56
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